TRANSLATE JORPS TO YOUR LANGUAGE

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Entrevista com Paulinho Pedra Azul

Paulinho completou, em 2008, 26 anos de carreira
(foto: XU MEDEIROS)
O cantor, poeta, artista plástico e compositor Paulinho Pedra Azul, se apresentou nesta sexta-feira em Montes Claros, trazendo para a cidade seu novo CD, intitulado Lavando a alma. O artista que é natural da cidade que leva o nome, Pedra Azul, completou em 2008, vinte e seis anos de carreira, tendo lançado vinte e um discos.

O músico mineiro falou sobre como começou na música, sobre sua carreira, as novas mídias, a nova safra de músicos e sobre sua admiração por Godofredo Guedes.COnfira a entrevista a seguir.

Samuel Fagundes: São quantos anos como músico?

Paulinho Pedra Azul: No ano passado eu comemorei meus 25 anos de carreira, lancei um disco inédito com parcerias com o Marcelo Jiran, que é um músico que vem me acompanhando agora, um menino de 23 anos que toca oito instrumentos e produz trabalho de outras pessoas também. Nesse tempo que estamos trabalhando juntos, quase três anos, fizemos mais de 50 músicas e nesse CD dos meus 25 anos eu gravei um disco com músicas minhas e deles, no qual eu sou letrista. Em 2008, no meu 26º ano de carreira, lancei um novo disco intitulado Lavando a alma com outro parceiro que se chama Paulo Henrique, que toca violoncelo na Orquestra Sinfônica Jovem de Mogi das Cruzes - SP, o Marcelo e o Paulo Henrique se uniram e produziram este disco comigo. São 26 anos de carreira com 21 discos gravados.

Samuel Fagundes: Como se interessou pela música?

Paulinho Pedra Azul: Eu comecei ouvindo meu irmão tocar, meu pai compro um violão para ele e uma bicicleta para mim. O certo seria ter comprado um acordeom para mim, e um violão para ele, talvez na intenção de fazer uma dupla, não uma dupla caipira, mas uma dupla musical, porque naquela época em Pedra Azul a gente tinha muita influência era de Beatles, de Nelson Gonçalves, de Ademar Dutra, Jovem Guarda. Não tínhamos muita ligação com a música sertaneja não. Acabou que o acordeom era muito caro, e meu pai optou por me dar uma bicicleta. Meu irmão começou a dar os primeiros acordes e eu ficava olhando a mão dele, quando ele saia, eu pegava o violão eu fazia as posições sem tocar, porque não podia aparecer o som do violão senão meu pai me puxava a orelha, porque tava pegando o violão do meu irmão que também não gostava que o pegasse. E assim que eu comecei lá pelos meus 12, 13 anos, aprendi a tocar sozinho.

Samuel Fagundes: De onde você tira suas inspirações?

Paulinho Pedra Azul: Eu vou acumulando informações, porque eu viajo muito, logicamente que não é preciso viajar para acumular informações, mas eu tenho essa oportunidade de estar viajando pelo Brasil e por algumas partes do mundo, e inspira muito conhecer novas pessoas, outras culturas, outro tipo de música. O Brasil é um país muito diversificado musicalmente, a gente acaba que tendo varias influências. E assim vou acumulando e acumulando, chegando em casa quando eu começo a compor, eu vou tirando do “fundo do baú” tudo aquilo que foi acumulado, e vou organizando esses sentimentos e dali começam a surgir as letras. Apesar de ter feito muitas músicas completas (melodia e letra), nessas minhas parcerias eu sou o letrista, até pelo fato de que eu gosto muito de escrever eu acho mais fácil trabalhar com as letras.

Samuel Fagundes: Você interpreta músicas de Godofredo Guedes, quando começou essa admiração pelo músico?

Paulinho Pedra Azul: Antes do Godofredo, eu tenho um ídolo até hoje que é seu filho Beto Guedes. Escutando um disco de Beto numa época, eu ouvi uma música instrumental que se chama Belo Horizonte, e eu a achei muito interessante. Eu gosto muito de choro e samba canção, alem de gostar das músicas do Beto que também foi influenciado pelos Beatles como eu fui, eu ouvi outra música que acho que tenha sido do segundo disco, uma música que se chama Cantar, que era do Godofredo Guedes. Eu pensei comigo mesmo, puxa vida mais uma música do Godofredo Guedes, quem é esse Godofredo? Não sabia qual o parentesco de Godofredo com Beto. Aconteceu que eu regravei essa musica Cantar, e só depois eu fui saber que o Godofredo era o pai do Beto. A partir daí eu comecei mesmo a admirar o trabalho do Godofredo através do Beto, que a cada novo disco gravava uma música de Godofredo. Numa determinada época, eu estava em Belo Horizonte, e meu telefone tocou, quando eu atendi, a pessoa falou assim “eu queria falar com o Paulinho” eu respondi é ele, a pessoa disse “aqui quem está falando é um fã seu”, eu perguntei quem era e ele respondeu Godofredo Guedes. De imediato eu respondi “não, você que é meu ídolo”, e disse, “isso é uma brincadeira, não é você”, ele respondeu que não era brincadeira, que era realmente Godofredo Guedes e que queria me conhecer naquele momento. Ele estava na casa da filha em Belo Horizonte, eu peguei o endereço e fui para lá. Ficamos umas duas, três horas conversando, tocando, ele me mostrando um tanto de coisa, contado as histórias dele. E para mim isso foi muito bacana, foi um encontro muito gostoso, como se fosse de um pai e um filho que não se vêem há muito tempo. Eu me senti meio que fazendo parte da família do Godofredo. E foi o que aconteceu. O carinho foi mútuo, nos falamos muito, toda vez que eu vinha a Montes Claros fazer um show eu ia à casa dele, tomava café com Dona Julia, ele e os meninos. E fiquei apaixonado pelo trabalho de Godofredo, e a cada disco meu sempre fui regravando músicas dele. Até um dia que eu gravei um disco inteiro com músicas de Godofredo.

Samuel Fagundes: É verdade que esse CD com musicas do Godofredo gerou certa polêmica na família Guedes?

Paulinho Pedra Azul: O que aconteceu foi que eu queria fazer mais discos, pois eles acabaram rápido. Foi um disco muito importante na minha carreira, principalmente pela participação do Vagner Tiso, que fez arranjos no meu primeiro disco e vinte anos depois nos encontramos para fazer um disco com músicas do Godofredo Guedes. A família não autorizou a fazer mais o disco, mas não tem problema nenhum, eu me contentei com que já havia sido feito, e partir dali o disco desapareceu. Quem tem o disco tem. Mas quem sabe um dia a gente conversa com Zeca, com os meninos e com a turma e derrepente a gente faz algo parecido. Não houve problemas com direitos autorais, porque foi tudo acertado com o Zeca que é o detentor dos direitos. Foi tudo certinho, a minha relação com o pessoal da família Guedes é muito boa, temos um carinho e um respeito muito grande entre a gente, à prova disso é que Gabriel Guedes vai participar do show que eu farei em Januária, lá ele vai fazer uma homenagem ao Godofredo e eu é que vou acabar participando do momento dele.

Samuel Fagundes: Apesar de não freqüentar a grande mídia, você é conhecido por muitas pessoas, principalmente entre jovens e universitários. Ao que você atribui isso? E O que você acha disso?

Paulinho Pedra Azul: A mensagem que eu passo no meu trabalho, porque minha música fala da relação humana, e também uso de temas bem brasileiros, gravo baião, xote, forró. Mas tudo na medida certa, porque essencialmente eu sou um baladeiro, gosto muito de baladas, de valsas, gosto muito das coisas da raiz brasileira mesmo. Eu acho que minha música passa uma mensagem de amor principalmente, e o amor é uma coisa que é universal, pois você cantando o amor em qualquer lugar que você for a pessoa mesmo sem entender o que você esta cantando, sabe que ali tem uma paixão no meio, pela forma como a música esta sendo mostrada. E a moçada nova tem preocupado muito com essa coisa da relação humana, e quando eu falo amor eu digo amor a tudo, a família, aos amigos, ao filho, ao pai, a vida, a natureza. Esses temas todos entram no meu trabalho. E eu acho que eles se identificam por isso, porque são cosias que eu acho que eles gostariam de falar.

Samuel Fagundes: Como é voltar a fazer a Montes Claros para fazer show?

Paulinho Pedra Azul: Eu estou achando muito bom voltar a Montes Claros, porque eu estou lançando um disco novo, e apesar de bater na mesma tecla que é a relação humana, mas é um disco inédito, e estou tendo essa experiência de estar compondo com pessoas novas, que tem uma visão diferente de música e estudam muito. E isso vem somando ao meu trabalho, acrescentando essa musicalidade que às vezes falta em mim, que é a questão do estudo da música. A minha música é totalmente intuitiva. Com isso o trabalho fica super original e a proposta é sempre trabalhar com pessoas novas para poder mudar um pouco a questão da musicalidade.

Samuel Fagundes: O que você acha desta nova geração de músicos brasileiros?

Paulinho Pedra Azul: Essa moçada de hoje em dia está estudando muito, tem a preocupação de fazer o melhor que eles podem. Na minha geração, a gente era uma geração intuitiva demais. Dessa turma nossa, Tadeu Franco, Tino Gomes, Celso Adolfo, Saulo Laranjeira, Rubinho do Vale, Marco Ribas, Serginho Moreira, são pessoas que aprenderam tudo na base da intuição, influenciado pelos Beatles e pela jovem guarda, cada um com sua característica também intuitivamente. O que eu acho legal nessa moçada nova é a curiosidade que eles têm, e o acesso que tem pelo computador que é uma grande mídia. Eles são curiosos, entram no site não sei de quem, ali mesmo já trocam idéias, é uma informação muito rápida. E com certeza essa nova geração é uma geração de estudar mesmo. Porque como eles sabem que tem muita informação musical no Brasil, eu acho que eles são curiosos demais e procuram fazer algo diferente, mesmo sendo inspirado por pessoas que eles curtiam. O que eu acho mais bacana é isso, é o cuidado que eles têm de estudar, de fazer uma coisa de qualidade, de ter paciência, que é o que nossa geração teve muito, mas eu acho que eles têm mais agora, estão mais pé no chão. Essa coisa do trabalho independente deu muita condição para o pessoal fazer dentro de casa mesmo. Sessenta por cento do meu último disco foi gravado dentro de casa. Hoje em dia gravar é bem mais tranqüilo e por isso as pessoas estão tendo mais oportunidades também. Hoje em dia as coisas estão mais fáceis, e tem que ser assim porque o músico brasileiro é muito criativo e quando ele se propõe a fazer um trabalho ele faz com muito cuidado e carinho, e por isso temos que respeitar essa geração nova e aprender com eles, que é o que eu venho fazendo meus dois últimos discos eu venho compondo com essa moçada nova, e tenho tido um resultado muito legal.

SERVIÇO
Confira mais informações sobre o artista em http://www.myspace.com/paulinhopedraazul

Um comentário:

Lou James disse...

Olá, bela entrevista. Traz reconhecimento e divulga as idéias de um excelente artista. Parabéns pelo ecletismo do blog. Já estou add. Abx & Rock on!